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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Cidades inteligentes são tema de debate no primeiro dia da EmTech Brasil

revolucionam o gerenciamento urbano
Pedro Junqueira e Erin Baumgartner no debate sobre cidades inteligentes, na 1ª edição da EmTech Brasil - Ana Branco
POR SÉRGIO MATSUURA 18/11/2015 12:35 / atualizado 18/11/2015 12:37
RIO - Eles são praticamente invisíveis, ficam escondidos ao olhar desatento, mas cada vez mais diferentes sensores são espalhados pelas cidades. A geolocalização de smartphones ajuda no controle do trânsito; o GPS da frota de ônibus permite racionalizar a distribuição das linhas; e a análise de amostras de esgoto fornece subsídios para políticas de saúde. A cada 36 horas, a Humanidade produz 5 exabytes de informações, o equivalente a toda produção do início da História até o começo do século XXI, e a análise desses dados está provocando uma revolução no gerenciamento urbano.
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— Resolver os problemas das cidades não é mais papel exclusivo de engenheiros civis — disse Erin Baumgartner, diretora adjunta do Senseable City Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nesta quarta-feira, primeiro dia da EmTech Brasil 2015, conferência mundial de tecnologias emergentes promovida pela “MIT Technology Review”. — Nós estamos produzindo, coletando e compartilhando quantidades incríveis de dados.

Um dos projetos desenvolvidos no Senseable City Lab pretende reorganizar a frota de táxis em Nova York. Durante um ano, foram capturadas informações de 170 milhões de corridas. Com algoritmos, os pesquisadores descobriram que, em 90% dos casos, as viagens poderiam ser compartilhadas por duas pessoas.

— Se 90% das corridas podem ser compartilhadas, então pode-se diminuir o número de táxis em 45%. Isso teria um impacto significativo no trânsito de Nova York — disse Erin. — Nós mostramos para as pessoas o valor da economia em dólares e milhas percorridas.

Em outro experimento, pequenos transmissores de geolocalização foram incorporados em 3 mil artigos que foram jogados no lixo em Seattle. Dessa forma, os pesquisadores foram capazes de montar um mapa ilustrando o percurso dos rejeitos. Os resultados demonstraram a ineficiência do sistema e a dificuldade no tratamento do lixo eletrônico.

O laboratório liderado por Erin também está fazendo a análise de amostras de esgoto para fornecer informações para programas de saúde.

— Nós podemos analisar padrões de vírus, bactérias e compostos químicos. Podemos rastrear doenças antes de as pessoas apresentarem os sintomas — disse Erin.

Tudo isso está acontecendo em experimentos realizados no MIT, mas a aplicação prática da análise de big data pode ser vista em cidades de todo o mundo, incluindo o Rio de Janeiro. Pedro Junqueira, chefe executivo de Resiliência e Operações da Prefeitura, subiu ao palco da EmTech para mostrar a experiência carioca na gestão urbana inteligente. Entre os exemplos citados por Junqueira está a parceria com o Waze, que possibilita o melhor ordenamento do trânsito com base em informações geradas pelos próprios motoristas.
— O GPS dos ônibus nos permite visualizar em tempo real onde eles trafegam mais rápido e onde a velocidade é zero — disse Junqueira. – Recentemente tivemos uma greve e, pelos monitores, pudemos avaliar se as medidas de proteção de motoristas estavam surtindo efeito.

E, para o futuro próximo, a tendência é a instalação de ainda mais sensores. Erin, do Senseable City Lab, propõe a utilização dos postes de iluminação urbana para esse fim. Apenas nos EUA existem 26 milhões deles. Se cada um coletar dados sobre temperatura, CO2, acústica, campos gravitacionais, movimentação, entre outros, será possível compreender o espaço urbano de forma nunca antes imaginada.

— Nós teremos mapas de microclimas urbanos, escalas de odor, informações que ainda não existem — previu Erin.
PRÓXIMASensores e big data revolucionam o gerenciamento.

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